Assim nasceu o cinema, disputando com a realidade o movimento; entre todos os produtos gerados pela tecnologia da super-reprodução, foi o cinema que trouxe o maior grau de persuasão, antes da realidade virtual, é claro. A linguagem do cinema é cinestésica, ou seja, é movimentação, podemos ir mais longe e afirmarmos que ela é mais, é sinestésica, pois além do movimento é cor, som, movimento, o que produz um "estado" de verossimilhança num elevado grau. O cinema quer ser vida, um bom filme é aquele que não desperta no telespectador a sensação de que é um filme, é aquele que encontra reações do público, como as lágrimas, os risos, os aplausos etc.
Nas duas primeiras décadas, o cinema não contava histórias, mas apresentava curtas nas salas de projeção, que não eram exatamente o que temos hoje, mas um misto de café e lanchonete, alguns conhecidos como "smoking coffees" ou "music halls"; nestes lugares as pessoas bebiam, fumavam, comiam, dançavam e assistiam a filmes, muitas vezes grotescos, ou cômicos.
Na época em que surgiu, esse tipo de diversão era , em termos de custo, considerada popular e esses lugares eram freqüentados por pessoas de classe sócio-cultural menos privilegiada, uma vez que a elite era conservadora demais para presenciar esse tipo de espetáculo barato e grosseiro, normalmente prestigiado pelo público masculino.
Para atrair a classe média, o cinema procurou adaptar-se a um novo repertório, o primeiro país a produzir filmes tendo esse propósito foram os Estados Unidos. Para atrair esse público, o cinema se fez teatro, ópera, romance; passou a contar história com começo meio e fim, criou personagens que se identificavam com a platéia que se pretendia fosse ao cinema. É desta época um cineasta denominado Griffith que adaptou alguns escritores famosos para as telas. Assim o cinema vai crescendo ao gosto da classe média até adquirir um "status" de teatro, e, finalmente, de arte.
O limiar entre arte e realidade às vezes fica esboroado, o homem utiliza o cinema para documentar a realidade, e assim, durante a guerra alguns documentários são feitos no próprio local, com atores, é claro que essa atitude procurava apontar a verdade que até então nenhum outro meio de representação havia oferecido.
Enquanto o cinema não era sonoro, alguns filmes vinham acompanhados com um Conferencista Educativo que explicava o filme ao público. Em alguns casos, quando a história era conhecida do público bastavam as legendas.
Depois disso o cinema falou...Falou, cantou, esbravejou, criando uma linguagem nova, própria, a câmera deixou de ser fixa no meio do palco e os atores deixaram de entrar e sair pelo lado. A linguagem do cinema tem uma história, assim como o próprio cinema, e essa linguagem acabou por enriquecer outras formas de produção de linguagem tais como o romance, o conto, as histórias em quadrinhos, até mesmo a publicidade.


