Normalmente essas publicações serviam à ciência, mais tarde elas serviram também às artes e à literatura, mas é no começo do século XX que elas passaram a tomar maior corpo junto ao público. Muitas das revistas deste período manifestavam tendências científicas, políticas, artísticas. Como por exemplo a revista literária Nord-Sud que caracterizou uma vertente da arte de vanguarda na França, ou a revista brasileira Fon-Fon que trazia muitas variedades, entre elas a eleição dos príncipes dos poetas brasileiros, o nome desta revista era bem sugestivo, com a invasão das tecnologias , a buzina lembra o barulho que deveria ser feito para alardear certos fatos históricos.
Nas primeiras décadas do nosso século as revistas cumpriram uma função primordial na divulgação das idéias libertárias na poesia, na política, na arte, na arquitetura e muitas vezes participavam numa revista literária, por exemplo, artistas e pensadores de outras áreas a fim de exporem seus pensamentos e divulgarem suas idéias. As revistas brasileiras Terra Roxa e Kalxon, que surgiram logo após a semana de arte moderna, são exemplos disto.
a partir dos meados da década de 40 a revista no Brasil ganha em seu projeto gráfico a ilustração, a fotografia. O verbal vai cedendo espaço para o visual e as reportagens vão aos poucos sendo feitas em parceria: fotógrafo e jornalista trabalham juntos. A revista O Cruzeiro é uma das primeiras a levar a frente esse equilíbrio imagem-palavra.
Na década de 50, mais especificamente em 1953, o número datado de 18 de fevereiro, da revista O Cruzeiro vemos estampado o número de exemplares 520.000 exemplares. As reportagens sobre o carnaval trazem mais fotos do que conteúdo. Esta revista traz como uma espécie de encarte um número de um jornal denominado PIF-PAF, um jornal satírico elaborado por Vão Gogo e desenhos de Péricles; seu conteúdo traz piadas, humor, sátira e poesias pitorescas. Numa outra edição dessa revista, de Dezembro de 1946 a tiragem é de 190.000 exemplares, em seu interior vemos uma reportagem de 8 páginas sobre a bomba atômica, percebemos pelas fotos a exagerada proximidade do fotógrafo com a explosão. A bomba número 5 explodiu em julho daquele ano no atol de Bikini, pelas fotos, como já dissemos, muito próximas, vê-se perfeitamente o cogumelo atômico, muitos navios ao redor da explosão, e que acabaram sendo prejudicados pela explosão, segundo a reportagem, e finalmente, numa outra foto a seguinte legenda: "a enorme coluna é maravilhosa". A descrição anterior mostra o deslumbramento do mundo com o poder da bomba atômica, e ainda não se dá conta dos efeitos remanescentes à explosão.
Um outro exemplar de O Cruzeiro, datado de fevereiro de 1959 trazem fotos em preto e branco diferentes dos outros exemplares consultados que traziam as fotos de coloração sépia. Como este exemplar está mutilado, faltam a capa e o índice, portanto não podemos conhecer o número de exemplares desta edição. Esse exemplar é dedicado ao carnaval, e nas páginas centrais as fotografias das fantasias carnavalescas que participaram de bailes importantes estão em cores.
O Cruzeiro foi uma das revistas cuja linha editorial deixou modelo para as publicações que seguiram, como por exemplo Fatos e Fotos, Realidade, Manchete e outras.
Hoje encontramos uma variedade muito grande em publicações no Brasil e no mundo, os periódicos se especializam em vários segmentos da sociedade. Com uma gama de interesses variados, afunilando-se ora num assunto ora no outro, hoje podemos descobrir no mercado editorial alguns periódicos que atingem profissões específicas e outras mais generalizantes: há publicações para os médicos, para dentistas, para surfistas, músicos, educadores, e uma infinidade de outras especialidades que nos rodeiam. alguns desses veículos têm uma vida muito curta, outros conseguem manter a mesma qualidade e o mesmo público por muito mais tempo.
Algumas revistas brasileiras seguem paradigmas de revistas estrangeiras. O jornalismo da Time inspira a revista Veja, Época e Isto é, com sua linguagem concisa, objetiva, e de um repertório relativamente rico, já a segunda, mantém o mesma qualidade gráfica da outra, porém com uma linguagem mais ao gosto popular, mas as duas seguem o padrão americano.
O mesmo ocorre com algumas revistas femininas, masculinas e de variedades: A Paris Match tem servido de modelo, a revista Playboy e outras existentes no mercado.
Um sem-número de publicações povoam as bancas e uma delas, com certeza, tem a sua cara, uma ou mais de uma produz em você uma certa simpatia e você acaba por levá-la um, dois, três meses ou mais, até que finalmente você enjoe dela, ou acostume-se para sempre com ela.


