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Graduada em Letras pela Universidade Braz Cubas (1979), Especialista pela Universidade de Mogi das Cruzes, Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997). Atualmente é professora adjunta da Universidade de Mogi das Cruzes e da Universidade Braz Cubas. Tem experiência na área de Letras, Semiótica, Teoria da Comunicação e Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiótica e Publicidade, Teorias da Comunicação, Filosofia e Filosofia da Direito. Atualmente é secretária Geral da Sociedade Brasileira dos Professores de Lingüística e Membro da Comissão de Avaliadores do MEC- INEP. É autora de livros didáticos pela àtica e Scipione (Abril Educação), avaliados entre os livros do PNLD 2008. É Certified Professional Coach, pela International Coach Academy e membro da International Coach Federation. Proprietária da Quanta Coaching: consultoria em coaching nas áreas de educação, cultura e liderança.

terça-feira, 27 de maio de 2008

HISTÓRIA DAS REVISTAS: JORNALISMO, CULTURA E OUTRAS OPÇÕES MIDIÁTICAS IMPRESSAS

O jornalismo de caráter menos efêmero, ou melhor dizendo, a divulgação de certos fatos cuja repercussão pode manter-se por mais tempo , deu origem às revistas, aos periódicos. A origem dos periódicos está ligada como os outros MCM, ao final do século XIX, e seu surgimento teve esse objetivo, divulgar fatos que poderiam ser guardados por mais tempo, fatos importantes de divulgação artística, científica, de moda etc.; podemos perceber isso na qualidade da impressão da maioria das revistas que circulam no nosso país.

Normalmente essas publicações serviam à ciência, mais tarde elas serviram também às artes e à literatura, mas é no começo do século XX que elas passaram a tomar maior corpo junto ao público. Muitas das revistas deste período manifestavam tendências científicas, políticas, artísticas. Como por exemplo a revista literária Nord-Sud que caracterizou uma vertente da arte de vanguarda na França, ou a revista brasileira Fon-Fon que trazia muitas variedades, entre elas a eleição dos príncipes dos poetas brasileiros, o nome desta revista era bem sugestivo, com a invasão das tecnologias , a buzina lembra o barulho que deveria ser feito para alardear certos fatos históricos.

Nas primeiras décadas do nosso século as revistas cumpriram uma função primordial na divulgação das idéias libertárias na poesia, na política, na arte, na arquitetura e muitas vezes participavam numa revista literária, por exemplo, artistas e pensadores de outras áreas a fim de exporem seus pensamentos e divulgarem suas idéias. As revistas brasileiras Terra Roxa e Kalxon, que surgiram logo após a semana de arte moderna, são exemplos disto.

a partir dos meados da década de 40 a revista no Brasil ganha em seu projeto gráfico a ilustração, a fotografia. O verbal vai cedendo espaço para o visual e as reportagens vão aos poucos sendo feitas em parceria: fotógrafo e jornalista trabalham juntos. A revista O Cruzeiro é uma das primeiras a levar a frente esse equilíbrio imagem-palavra.

Na década de 50, mais especificamente em 1953, o número datado de 18 de fevereiro, da revista O Cruzeiro vemos estampado o número de exemplares 520.000 exemplares. As reportagens sobre o carnaval trazem mais fotos do que conteúdo. Esta revista traz como uma espécie de encarte um número de um jornal denominado PIF-PAF, um jornal satírico elaborado por Vão Gogo e desenhos de Péricles; seu conteúdo traz piadas, humor, sátira e poesias pitorescas. Numa outra edição dessa revista, de Dezembro de 1946 a tiragem é de 190.000 exemplares, em seu interior vemos uma reportagem de 8 páginas sobre a bomba atômica, percebemos pelas fotos a exagerada proximidade do fotógrafo com a explosão. A bomba número 5 explodiu em julho daquele ano no atol de Bikini, pelas fotos, como já dissemos, muito próximas, vê-se perfeitamente o cogumelo atômico, muitos navios ao redor da explosão, e que acabaram sendo prejudicados pela explosão, segundo a reportagem, e finalmente, numa outra foto a seguinte legenda: "a enorme coluna é maravilhosa". A descrição anterior mostra o deslumbramento do mundo com o poder da bomba atômica, e ainda não se dá conta dos efeitos remanescentes à explosão.

Um outro exemplar de O Cruzeiro, datado de fevereiro de 1959 trazem fotos em preto e branco diferentes dos outros exemplares consultados que traziam as fotos de coloração sépia. Como este exemplar está mutilado, faltam a capa e o índice, portanto não podemos conhecer o número de exemplares desta edição. Esse exemplar é dedicado ao carnaval, e nas páginas centrais as fotografias das fantasias carnavalescas que participaram de bailes importantes estão em cores.

O Cruzeiro foi uma das revistas cuja linha editorial deixou modelo para as publicações que seguiram, como por exemplo Fatos e Fotos, Realidade, Manchete e outras.

Hoje encontramos uma variedade muito grande em publicações no Brasil e no mundo, os periódicos se especializam em vários segmentos da sociedade. Com uma gama de interesses variados, afunilando-se ora num assunto ora no outro, hoje podemos descobrir no mercado editorial alguns periódicos que atingem profissões específicas e outras mais generalizantes: há publicações para os médicos, para dentistas, para surfistas, músicos, educadores, e uma infinidade de outras especialidades que nos rodeiam. alguns desses veículos têm uma vida muito curta, outros conseguem manter a mesma qualidade e o mesmo público por muito mais tempo.

Algumas revistas brasileiras seguem paradigmas de revistas estrangeiras. O jornalismo da Time inspira a revista Veja, Época e Isto é, com sua linguagem concisa, objetiva, e de um repertório relativamente rico, já a segunda, mantém o mesma qualidade gráfica da outra, porém com uma linguagem mais ao gosto popular, mas as duas seguem o padrão americano.

O mesmo ocorre com algumas revistas femininas, masculinas e de variedades: A Paris Match tem servido de modelo, a revista Playboy e outras existentes no mercado.

Um sem-número de publicações povoam as bancas e uma delas, com certeza, tem a sua cara, uma ou mais de uma produz em você uma certa simpatia e você acaba por levá-la um, dois, três meses ou mais, até que finalmente você enjoe dela, ou acostume-se para sempre com ela.

HISTÓRIA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

As HQ, como são comumente conhecidas, são um fenômeno recente, elas dividem sua data de nascimento com o jornal, o cinema e o rádio. Em meados do século XIX, com a distribuição mais farta de jornais, e um número maior de edições, começaram a surgir impressas, algumas formas de lazer, entre elas as charges, ou caricaturas com legendas, normalmente de cunho político.
Muitos pesquisadores das HQ, mais afoitos, atribuem que a origem delas está na Idade Média, onde se pintavam vitrais com a vida dos santos e de suas bocas saiam os filactérios, ou seja, desenrolavam-se pergaminhos que continham frases ou ensinamentos deixados por esses homens heróicos pela santidade. Outros pesquisadores acreditam que desde que o homem aprendeu a contar histórias por meio de desenhos, já se fazia HQ.
As HQ têm características próprias, diferentes dos vitrais, dos grafitos ou das pinturas em paredes. Elas na verdade, nascem mesmo junto com o jornal, porque à medida que o homem desenvolve o projeto gráfico, ele facilita o surgimento de novas formas e novas técnicas de impressão, o que por sua vez, reflete na produção das histórias em quadrinhos.
Tanto elas como o cinema são importantes para que entendamos como as imagens que proliferam-se pelo mundo criam novos significados e novas realidades, pois eles trabalham com vários tipos humanos e muitas narrativas nada singulares.
O primeiro personagem que , oficialmente, marca o surgimento das HQ é Yellow Kid, ele surge nas edições de domingo de um jornal norte-americano, o New York World. A ele se seguiram inúmeros personagens, espalhados pelos jornais do mundo todo: Os sobrinhos do Capitão, Little Nemo in Slumberland, Mutt e Jeff, Tintin entre outros. O século XX acelera as produções das 'daily streeps' ou seja tiras diárias, por isso podemos observar que elas passam para uma periodicidade menor.
A partir da década de 30, consagradas tanto na Europa quanto nos EUA, nasceram muitos personagens famosos, e alguns até hoje, vivem entre nós. Tintin é um desses, um repórter em busca de notícias que acabam virando aventuras, e por falar em repórteres, o Super-Homem prefigura entre eles, assim como fotógrafos, no caso do Homem - Aranha, e outras profissões que vão surgindo ao longo dos tempos.

A história das histórias em quadrinhos é rica em heróis. Eles figuram de uma forma ou outra, a fim de preencher o vazio de nossa imaginação em nossa mente, a fim de não precisarmos imaginar, ou então, a presença do herói nesta época continua sendo justificada pela mesma necessidade que sempre tivemos de heróis, o que diferencia os heróis das HQ dos da literatura, é que eles são visíveis (nos desenhos), eles são captados por um órgão da nossa percepção, o que provavelmente nos faz mais próximos deles, ou eles de nós. Os heróis das lendas e da literatura são imaginados pelas descrições que tivemos deles, uma descrição verbal que força a nossa imaginação, já o das HQ está ali, desenhado, nós os vimos, primeiro em preto e branco, mais tarde eles vieram colorir a nossa imaginação.
As situações criadas em cada uma das HQ preenchem um certo tipo de público, do infantil, do adolescente, do adulto, dos aficionados em rock, em selva, em futuro e até mesmo underground.
Nos EUA, elas surgiram em maior número de produção e de personagens, fazendo com que muitos ficassem conhecidos, e se tornassem até astros do cinema. As HQ, apesar de nascerem numa época próxima do cinema, nascem em melhor estado; o cinema nasceu mudo por uma questão técnica, e as tirinhas já nasceram falando, não ainda em balõezinhos, como hoje, mas sim em legendas horizontais na base do desenho. Os balõezinhos vieram um tempo depois e vigoram até hoje, com todas as atualizações técnicas que temos direito. Os balõezinhos incorporaram muito dos efeitos especiais no cinema, há balões-pensamento, balões-sussurro, balões-transmissões de rádio, etc. A fala vem no balão por uma questão muito simples, as HQ são imagens e palavras, por ser um código misto, cada qual vem de acordo com sua estrutura. Notem bem, que o verbal das interjeições, por exemplo, vêm sempre fora dos balões, eles compõem o cenário, o ruído da cena, logo as interjeições não surgem nos balõezinhos.

História do Jornal

História do Jornal

O Jornal nasce timidamente no final do século XVIII, mas é no século XIX que ele passa a cumprir o mesmo papel que desempenha hoje, guardadas as devidas proporções, é claro.

Quando o jornal nasce seu objetivo é o mesmo que o de hoje, o jornal é um resumo de fatos expressos em palavras impressas, até que mais tarde, entram em cena as ilustrações , e no final do século XIX, quando surge a primeira fotografia, mais precisamente no dia 21 de janeiro de 1897, o jornal passa a ser visual, ilustrado.

É muito difícil desvincular o nascimento do jornal da literatura desta época. Desde o seu nascimento, até hoje, o jornal apresenta muitos pontos em comum com a arte da palavra.

O jornal ajuda a fazer a história, assim como o faz a literatura; no século passado, principalmente, a segunda metade, favoreceu muito o desenvolvimento do jornal, em virtude das correntes filosóficas, científicas e literárias que pairavam no continente europeu e se disseminaram pelo mundo; entre essas correntes, uma das que podemos citar denomina-se positivismo, e foi idealizada por August Comte, e, segundo ela, todos os fenômenos são explicados pela ciência; uma outra corrente científica, racionalizada por Charles Darwin, denominava-se evolucionismo, e afirmava as espécies evoluem de acordo com o meio, ou melhor dizendo, as espécies na luta pela sobrevivência, procuravam adaptar-se às modificações ocorridas no meio em que vivem, e se fossem fortes, manter-se-iam, se fossem fracas desapareceriam. Positivismo mais evolucionismo proporcionam a aventura em busca da verdade, do progresso, e o jornal assume esse compromisso.

Essas e outras teorias acabaram por desembocar num processo de elaboração de linguagem que deu origem a uma corrente literária, denominada Realismo, cujos pressupostos teóricos pairavam sobre a elaboração de teses a serem comprovadas. A linguagem literária buscava a descrição da realidade, a fim de comprovar certas teses, e ao descrever a realidade os autores buscavam uma linguagem precisa, despojada de muitos volteios, clara e objetiva, para dar ao leitor uma maior consciência da realidade em que ele vivia mergulhado.

Essa linguagem literária é bem próxima da linguagem jornalística, e nesse clima nasce o jornal, ganhando um público maior, porque nasce como a literatura da época, compromissado com a verdade.

É o jornal que dá abertura, no século de seu nascimento, a um outro tipo de publicação literária: o Romance-Folhetim, o primeiro a experimentar esse casamento da literatura com o jornal é o La Presse, nele saem publicados romances-folhetins de Alexandre Dumas, Eugene Sue e outros. Essa prática é comum no século XIX e se estende a outros países. No Brasil podemos citar José de Alencar, com o romance O Guarani, e Machado de Assis com Quincas Borba, isso em nada desmerece esses escritores, e nem classifica essas obras como literatura de massa, pelo contrário, neste período é muito comum essa prática, pois era uma forma pela qual as mulheres da burguesia, que começavam a se alfabetizar, a encontrar cultura e diletantismo. Os folhetins supriam a falta de outras formas de lazer, ou simplesmente, cumpriam o seu papel feminino no jornal, como o fazem até hoje os suplementos femininos.

Machado de Assis, além de ter publicado romance-folhetim, teve também bastante influência no jornalismo brasileiro, pois começou sua carreira como aprendiz de tipógrafo num jornal e foi um dos maiores cronistas do jornal O Correio Mercantil, onde flagrou cenas do Rio de Janeiro com muita precisão.

O século XX não foi diferente para o Brasil, e o jornal e a literatura andaram muito próximos. Grandes nomes nacionais desenvolveram habilidades jornalísticas e literárias conjuntamente, entre eles: Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, o primeiro , autor de Os Sertões, foi correspondente do jornal O Estado de São Paulo, durante a Revolução de Canudos, no interior da Bahia, do material colhido por ele para a reportagens, surgiu sua obra; o segundo, cronista do Vale do Paraíba, foi também autor de muitos artigos no mesmo jornal do anterior.

Alguns outros autores começaram sua carreira literária no jornal, outros, como Oswald de Andrade, chegaram a fundar um jornal, outros ainda, como Ignácio de Loyola Brandão, dividem a missão de jornalista e escritor de forma harmônica.

Conheça o jornal do futuro 28/4/2008 15:14:00

Qual o tempo de vida de um meio de comunicação? Os clássicos jornais impressos têm 200 anos de história e, como a velhice um dia perturba, experimentam, aos poucos, a decadência frente outras mídias. Em sua maioria, as novas gerações pouco os procuram, como comprovam pesquisas. Jovens preferem provar o virtual e eletrônico frente à tinta no papel, panorama que contribui para a queda mundial na circulação dos periódicos, há anos. Sendo assim, quanto tempo ainda têm de vida? Embora a pergunta seja enigmática, há quem arrisque. E o palpite vem de quem escreve para o próprio meio: "o jornal impresso ainda tem uma sobrevida de 20 ou 30 anos", diz jornalista Ethevaldo Siqueira, do jornal "O Estado de S.Paulo".
A conclusão não foi ao acaso. Deu-se em conversa com outros jornalistas experientes e especializados em informação na era digital, durante o NAB Show, em Las Vegas. O motivo, segundo aponta o texto, é a incapacidade do jornal em competir com a rapidez do rádio, TV e internet. Tornaria-se redundante, portanto. Segundo escreve Ethevaldo, o grupo imagina ser possível que, em 2015, boa parte dos jornais já tenha migrado para a Internet.
Até 2030, a expectativa é que o impresso mude seu papel na mídia,antes de desaparecer. Não será necessariamente um meio de massa, mas poderá ser consumido por segmentos especializados. Apesar do contexto, o jornalista lembra que não será a Internet responsável pela morte do jornal, "embora deva impor-lhe reformulações profundas".


O jornal em 2020

As mudanças apontadas tomam por base o espelho a Web. A principal delas é passar de produto físico a virtual, de acordo com o jornalista. Até a publicidade foi listada. A previsão é de que os anúncios saiam da tradicionalidade e assemelhem-se mais com os modelos de pagamento sob visualização dos leitores, ou seja, links patrocinados. Mobilidade e colaboração entre leitor e jornalistas, ao estilo Wikipedia, também foram listados. Do ponto de vista do conteúdo, a dica é evoluir do foco predominantemente noticioso e partir para análises mais complexas. ( fontre:ADNEWS www.adnews.com.br)