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Graduada em Letras pela Universidade Braz Cubas (1979), Especialista pela Universidade de Mogi das Cruzes, Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997). Atualmente é professora adjunta da Universidade de Mogi das Cruzes e da Universidade Braz Cubas. Tem experiência na área de Letras, Semiótica, Teoria da Comunicação e Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiótica e Publicidade, Teorias da Comunicação, Filosofia e Filosofia da Direito. Atualmente é secretária Geral da Sociedade Brasileira dos Professores de Lingüística e Membro da Comissão de Avaliadores do MEC- INEP. É autora de livros didáticos pela àtica e Scipione (Abril Educação), avaliados entre os livros do PNLD 2008. É Certified Professional Coach, pela International Coach Academy e membro da International Coach Federation. Proprietária da Quanta Coaching: consultoria em coaching nas áreas de educação, cultura e liderança.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

História da propaganda

A propaganda comunica a eficácia de um produto, de um serviço ou ainda pode esclarecer a população em casos de certos riscos que ela pode correr. Se é arte ou não, hoje em dia , isso é discutível. Na verdade ela nasce a partir das artes figurativas, da pintura, para ser mos mais exatos.
Se uma natureza morta, ou um retrato são capazes de mostrar como são belas as coisas ou pessoas ali representadas, a pintura pode ser uma das mães da propaganda. Uma delas, pois a outra é a palavra, ou a arte de combinar as palavras de modo a convencer o ouvinte, ou o leitor de que o produto, ou o serviço é realmente bom e necessário.

Nem pintura, nem poesia. A propaganda tem suas características próprias hoje, mas até chegar onde chegou, se equilibrou na corda bamba entre uma e outra. A palavra combinada a imagem é uma atitude remota no homem, para termos uma idéia, no homem antigo combinar símbolos e gravuras era uma prática comum, por exemplo, entre os gregos que desenvolveram uma escrita fonética e muitos símbolos a fim de elucidar certas fórmulas e pensamentos mais abstratos. No homem contemporâneo essa prática pode ser encontrada entre os copistas da Idade Media, os alquimistas, os artistas, muitos deles desenhavam algo sobre o que falavam ou experiências que faziam. Nas enciclopédias vemos as iluminuras, os desenhos que enfeitavam as letras iniciais dos capítulos dos livros.

Por falar em enciclopédias, elas surgem num período denominado Iluminismo, ou Século das Luzes, o século XVIII. Século das Luzes porque a luz estava ligada à razão, vai daí que iluminado, ilustrado são palavras ligadas à cultura e à sabedoria.

Podemos chegar, então no século XIX : Em virtude da Revolução Industrial, da multiplicidade de bens postos à venda, veio também a necessidade de se divulgar esses produtos. Advindos da reprodução em série esses produtos eram abundantes e havia a necessidade de divulgá-los para que fossem consumidos. As propagandas surgem então, primeiro com cartazes pintados a mão, depois impressos em preto e branco, depois coloridos. Vale lembrar também a publicidade oral, e o homem sanduíche, que coloca um cartaz nas costas e outro no peito e anuncia em voz alta um remédio que cura todos os males, um elixir da longa vida, um aparelho que faz mil coisas e funciona apenas com uma simples volta de manivela. De tudo isso, podemos concluir que ela nasce da necessidade de se chamar a atenção de alguém para determinado produto.

Em qualquer parte do Mundo ela surgiu da mesma forma, e se fortaleceu à medida que a Industrialização avançava.
Os arautos eram homens que na Idade Média davam as notícias do palácio, os publicitários e jornalistas descendem desses arautos cumprem sua função , enquanto os últimos falam de fatos, os primeiros anunciam cada vez mais alto os produtos, as mercadorias.
A Propaganda no Brasil quando nasce , nasce oral e passa a ser escrita quando surge o jornal. A venda de escravos, a busca de escravos foragidos, com desenhos das marcas dos proprietários, a chegada de um remédio novo, ou um tipo de chapéu ou vestido, tudo isso era motivo para ser publicado jornais, primeiramente como forma de notícia, posteriormente em forma de publicidade.
A propaganda muitas vezes vem, no século XIX no Brasil, aliada à poesia; poetas como Casimiro de Abreu e Olavo Bilac viram ilustradas suas trovas para vários anúncios: remédios, roupas, casas, retratistas, cocheiros, joalheiros, esse tipo de publicidade surge em decorrência das várias necessidades da burguesia nascente no nosso país.

Alguns exemplos nos darão uma idéia:

"EXCELENTE ESCRAVO: Vende-se um crioulo de 22 anos, sem vício e muito fiel: bom e asseado cozinheiro, copeiro, boleeiro. Faz todo o serviço de arranjo de casa com presteza (....) esse anúncio como podemos observar traz muitas qualidades do 'produto' que se desejava vender, esse anúncio data de 1878 e foi veiculado no jornal A província de S.Paulo

O DIA DAS JANELAS!! Se V. Ex.a. aproveitar os lindos padrões de cretones estampados que acabamos de receber de Londres, As janelas de sua residência poderão ser elegantemente vestidas, apenas com pequeno dispêndio. - As nossas cortinas, além de serem as mais modernas e econômicas, são muito duráveis. Faça uma visita ao nosso Palacete Modelo! Mappin Stores Anúncio publicado em 1900 na Revista da Semana em 27 de Maio, neste texto podemos notar a linguagem exuberante e cordial de um texto publicitário do início do século, vemos que a cordialidade em excesso ou o abuso de adjetivos torna o texto, ou pelo menos acreditava-se, que tornava o texto persuasivo.

ESTRELLA DE PAYSANDU - "...está aprontando uma excelente luz, e sala de espera independente de sua moradia; apresentará aos seus fregueses uma bonita galeria de fotografia, ambrótipo, porcelanótipo, melanótipo espera a concorrência de seus patrícios, tendo em vista a modecidade de preços, perfeição e asseio(...) (...) os retratos só serão postos a exposição com o consentimento de seus donos; não se dá nem se vende retratos alguns sem a prévia licença por escrito, ainda mesmo que seja de pessoas pertencentes a família dos retratados." Como podemos ver esse é um anúncio publicitário de um retratista, muito meticuloso na descrição de todos os seus trabalhos e cuidadoso no sentido de não permitir que a reprodução em série descaracterizasse sua obra.

Na primeira década do século XX, com a industrialização crescente no eixo Rio-S.Paulo, surge a Castaldi & Bennaton, a primeira agência publicitária.

Alguns produtos ficaram famosos, a partir desta década, um deles teve sua campanha idealizada por Monteiro Lobato. O personagem Jeca Tatu, enfraquecido pela verminose, toma Biotônico Fontoura e se fortalece, Jeca Tatu será símbolo do homem brasileiro resistindo à falta de estrutura governamental que desse conta dos problemas sociais e econômicos da época, que afligiam muitos escritores, inclusive Lobato, homem que viveu no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, e bem conheceu suas vicissitudes. Esse autor , também se arvorou em outras campanhas publicitárias entre elas podemos destacar a campanha de esclarecimento público sobre o petróleo brasileiro; convencido de que o subsolo brasileiro era rico em petróleo Monteiro Lobato fez alguns cartazes e publicou artigos e manifestos no jornal.

Outros produtos também ficaram conhecidos do público, principalmente por meio de almanaques que proliferavam nas primeiras décadas do nosso século, entre eles o Óleo de Fígado de Bacalhau, e o Xarope São João.

O CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA DA MÍDIA

Advertência: apenas anotações sobre a Globalização e a Glocalização


A transformação das instituições da mídia em interesses comerciais de grande escala:

Guttemberg – A Bíblia;

Os jornais;

Século XIX: Inovações técnicas na indústria da imprensa – máquina a vapor, prensa rotativa – aumentaram a produção de jornais.Diversificação do Jornal com seus suplementos.

As sociedades ocidentais se tornaram mais urbanas, declínio significativo das taxas de analfabetismo.

À medida que a indústria gráfica foi se tornando mais industrializada o mercado foi expandido

Mercados de Impressos X Indústria Gráfica

A Globalização da comunicação remonta o século XIX também:

Fluxo internacional de informações e de comunicação assumiu uma forma mais organizada;

Desenvolvimento das agências internacionais;

Correspondentes nacionais / internacionais / free – lances.

Estabeleceram o começo de um sistema global de processamento de comunicação e informação.

O uso da energia elétrica:

O telégrafo eletromagnético (1830 – EUA) sinais telegráficos;

1870 – transmissão da fala e o telefone – Graham Bell;

Marconi (1898) – transmitiu sinais através de ondas eletromagnéticas dispensando o uso de fios;

1898 – Marconi transmitiu sinais a uma distância de 23 Km sobre o mar;

1899 – Através do Canal da Mancha, Westrughouse EUA X Marconi na Inglaterra ampliaram as transmissões para vastas audiências;

1920 – O Rádio definitivamente se instala como um grande meio de comunicação;

1940 – A televisão.

PROGRESSO CIENTÍFICO

Publicações: livros, revistas, congressos, simpósios.

(Hoje uma descoberta leva menos de 2 anos para chegar ao mercado);

A Internet – sites de busca, bibliotecas virtuais;

Método – controla o movimento das coisas que rodeiam, circulam um fato. É uma forma de compreender um fenômeno.

O FENÔMENO

As coisas acontecem, e, depois que acontecem os pesquisadores devem buscar várias formas de interpretá-las.

Os paradigmas da ciência:

Idade Média – Deus como Criador de todas as coisas;

Idealismo.

O Renascimento da filosofia trouxe nova luz às ciências:

observação do fenômeno;

análise dos elementos que compõem o fenômeno;

indução de hipóteses;

verificação de hipóteses aventadas por intermédio das experiências;

generalização do resultado das experiências;

confirmação das hipóteses obtendo – se leis gerais

Leis:

Mecanicismo – Newton – Revolução industrial

Positivismo – Século XIX Eletricidade;

Leis de Mendel;

Relativismo – Einstein.

A transformação das instituições de mídia em interesses comerciais de grande escala:

A imprensa de Guttemberg

Século XIX Inovações ténicas na indústria da imprensa: máquina a vapor e prensa rotativa

Diversificação do jornal ( surgimento dos suplementos)

“ As sociedades ocidentais se tornaram mais urbanas houve um declínio significativo do analfabetismo. À medida que a indústria gráfica foi se tornando mais industrializada e o mercado foi expandindo: o mercado de impressos passa a competir com as indústrias gráficas” Thompson (2005)

A globalização da comunicação

Século XIX – fluxo internacional de informação e de comunicação assumiu uma forma mais organizada

Desenvolvimento das agências internacionais

Correspondentes nacionais/ internacionais

Estabelecem um sistema global de processamento de comunicação e informação.

GLOCALIZAÇÃO, segundo Perisse (2007):

Parafraseando Eça de Queiroz, glocalização é fazer questão de falar mal a língua estrangeira e bem o próprio idioma.

Glocalização é entender que a felicidade das pessoas está, em boa parte, na capacidade de usufruir da própria identidade cultural, da própria maneira de ver e dizer o mundo.

Glocalização é localizar onde terminam as influências positivas e onde começam as ingerências perversas.

Glocalização é localizar o global mas jamais deslocalizar o que temos de original.

Glocalização é saber localizar o universal no nacional, mas jamais desnacionalizar o nosso pessoal.


ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO



Mensagem: grupo de signos extraídos de um repertório, reunidos numa determinada estrutura

Ruído: signos indesejáveis que se interpõem ao processo educacional

Redundância: facilita a compreensão da mensagem

Sociedades orais: as mensagens são recebidas no mesmo contexto em

que são produzidas;

Sociedades com a escrita: é possível ler uma mensagem 5 séculos depois de produzida ou a 5oo km de distância, fora de seu contexto original (A Imprensa condicionou o desenvolvimento da ciência moderna);

Cibercultura: co-presença de mensagens de volta a seu contexto em uma órbita completamente diferente.

Dados - quantificáveis

Informação – grupo de signos extraídos de um repertório, reunidos numa determinada estrutura

Conhecimento – decodificação da informação pelo receptor, acrescentando-se a isto seu repertório, subjetividade, utilidade, originalidade; enfim seus mecanismos de produzir semiose

semiose- processos irreversíveis, auto-organizatórios já em algumas reações. O tempo é o desenrolar da semiose, por isso cada comunidade vive num tempo diferente, pois a semiose que se opera dentro dela tem velocidade diferentes das outras, isso não significa que uma comunidade é melhor ou pior, apenas está em semioses diferentes.

Semiose- tendência para a autocorreção, para a verdade, para chegar a um contato efetivo com a realidade

Semiose – ação dos signos. Quando o futuro exerce influência sobre o presente temos aí uma semiose

A semiose é, portanto: uma conexão formal extrínseca entre o sujeito conhecedor e o objeto conhecido. – possível logo de início. É muito fácil ver-se o que é o interpretante do signo: é tudo que está explícito no signo mesmo, não se considerando o contexto e circunstâncias de produção deste signo.

Antropossemiose: inclui todos os processos sígnicos em que os seres humanos se envolvam, todos os processos sígnicos que são específicos da espécie humana. – a língua se insere nessa teia.

O SIGNO

É alguma coisa que representa alguma coisa para alguém.

1. o signo é determinado pelo objeto

2. O signo representa o objeto

3. O signo só pode representar o objeto

4. pode até mesmo representá-lo falsamente

5. representar um objeto significa que o signo está apto a afetar uma mente è produzir nela algum tipo de efeito.

6. Esse efeito produzido é chamado de interpretante do signo

7. o interpretante é imediatamente determinado pelo signo e mediatamente determinado pelo objeto

8. O objeto também causa interpretante mas através do signo

O signo é sempre incompleto em relação ao objeto. Santaella, A Percepção – uma teoria semiótica, Experimento, SP, 1993

O homem denota qualquer objeto de sua atenção num momento dado. Conota o que conhece ou sente sobre o objeto e é também a encarnação desta forma ou espécie inteligível, o seu interpretante é a memória futura dessa cognição, o seu ‘eu’ futuro ou uma outra pessoa à qual se dirige, ou uma frase que escreve pou um filho que tem CP7591 in Noth, p. 63 – Panorama da Semiótica, Annablume, SP, 1995

Os signos são necessários não apenas para qualquer método em filosofia ou ciência, mas para a própria possibilidade da existência de algo.